Você já parou para pensar como é que nós somos capazes de criar algo tão intrigante quanto os vidros?

Acredite ou não, mas o vidro realmente é um produto de areia aquecida ou líquida. Quando a areia derretida esfria, ela não volta para a substância amarela arenosa que conhecemos: ela passa por uma transformação completa e ganha uma estrutura interna totalmente diferente. Então, vamos nos aprofundar nesse assunto.

O que é o vidro?

Quando prestamos bastante atenção, podemos notar que a existência do vidro é uma verdadeira charada. No fim das contas, essa substância é resistente o suficiente para nos proteger de certas coisas, mas também frágil o bastante para se quebrar com certa facilidade ou cortar tudo por aí.

Além disso, apesar de atuar como um material sólido, o vidro nada mais é do que um estranho líquido disfarçado e espalhado por todas as partes: janelas, carros, vasos, lâmpadas, espelhos etc. O vidro é um dos materiais criados pelo homem mais antigos e versáteis do mundo.

Para criá-lo, basta aquecer a areia comum — que é composta majoritariamente de dióxido de silício — até ela derreter e se transformar em um líquido. Esse processo não acontece em um dia ensolarado normal na praia porque a temperatura de ebulição da areia é de 1,7 mil °C.

Porém, por mais que você tente resfriar a areia, ela jamais se transformará de fato em um sólido. O vidro, na verdade, pode ser considerado um líquido congelado ou um sólido amorfo, como dizem os cientistas. Esse tipo de material reúne a cristalização de um sólido e a aleatoriedade molecular de um líquido. Por fim, o processo de fabricação do vidro não é caro, e o material pode ser reciclado quantas vezes for desejado.

Quando o vidro foi inventado?

Por mais incrível que pareça, pouquíssimo se sabe a respeito das primeiras tentativas dos humanos de criar vidro. Entretanto, a maioria dos pesquisadores acredita que esse material foi descoberto há 4 mil anos ou mais na região da Mesopotâmia. De acordo com o historiador romano Plínio, tudo teria começado com os marinheiros fenícios.

No passado, os velejadores teriam parado em uma praia próxima a Ptolemais, uma região próxima ao atual Israel, onde fizeram fogo para preparar uma refeição. A lenda diz que, para a surpresa dos marinheiros, a areia sob o fogo teria se transformado em líquido e depois se resfriado, ficando em formato de vidro.

Apesar da intrigante explicação, atualmente sabemos que esse cenário é completamente impossível, uma vez que esse tipo de fogo seria incapaz de derreter a areia. A explicação mais provável para essa história é de que a areia de Ptolemais sempre foi conhecida por ser usada na confecção de vidro.

Outros estudiosos acreditam que os seres humanos desenvolveram a capacidade de fazer vidro ao longo do tempo a partir de experimentos com uma mistura de areia sílica ou fragmentos de quartzo moídos. Outras indústrias de alta temperatura, incluindo cerâmica e metalurgia, poderiam ter inspirado os primeiros fabricantes de vidro.

Como o vidro era feito no passado?

Eventualmente, a produção de vidro se tornou algo comum entre as sociedades. No Egito Antigo, uma oficina iria derreter os ingredientes para o vidro e resfriá-los para fazer lingotes ou pedaços crus de vidro utilizável. Esse também foi o período em que os fabricantes aprenderam a misturar esses lingotes com óxidos metálicos para criar o vidro colorido.

As cores mais populares de vidro incluíam o azul royal e o turquesa, que eram alcançados por meio da adição de óxido de cobalto e óxido de cobre, respectivamente — esses corantes são usados até hoje. Os vidreiros estavam tentando imitar pedras semipreciosas, como lápis-lazúli e turquesa, que eram valorizadas pelas primeiras culturas.

Então, os lingotes resfriados seriam enviados para outras fábricas onde seriam reaquecidos e moldados em diferentes formas. Essa segunda oficina não teria que aquecer o forno a uma temperatura tão alta quanto o forno de origem, porque menos calor é necessário para fundir o vidro novamente.

Como funciona a produção de vidro atualmente?

Em tempos modernos, a matéria-prima usada para a confecção do vidro é misturada e processada para garantir a ausência de impurezas. Então, essa mistura é depositada em um forno industrial, onde será aquecida até que se transforme em um líquido viscoso.

Depois, esse material é despejado em uma banheira de estanho com 15 centímetros de profundidade. Por ser mais denso, o estanho faz que o vidro flutue e fique completamente plano. É nessa etapa que os fabricantes determinam a espessura do vidro e seu formato.

Para que o vidro seja resfriado, ele passará por duas etapas: a câmara de recozimento e o esfriamento ao ar livre. Dessa forma, a peça pode ser resfriada de maneira gradual para evitar que apresente quebras no futuro. Por fim, o vidro passa pela etapa de beneficiamento, em que diferentes tipos de técnica são aplicados para criar diferentes tipos de vidro.

Alguns resultados possíveis são vidros:

  • temperado
  • laminado
  • insulado
  • serigrafado
  • esmaltado
  • impresso
  • autolimpante

Fonte: www.megacurioso.com.br